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 Testemunho - Inês Leorne  

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“Há várias situações complicadas, isso está em todo lado, no mundo inteiro!

Injustiças, desilusões, fome, doença, traições, ilusões e muitas mais...
A que mais me revolta é a fome, já quis comer e não tive, sei o que isso é! Acho que devia haver mais ajudas para todos os problemas.

A minha vida está cheia de coisas e pessoas complicadas, mas sei que há piores, por isso é que tento sempre que a força não me fuja. Queria fazer tanto, mas não consigo e isso revolta-me de uma maneira que só me apetece desistir!

É uma mistura de sentimentos inexplicável. Por vezes sinto-me inútil!

Preocupa-me a vida daqui a uns anos, tenho medo e é uma coisa que não queria ter, tenho vergonha de sentir isso.

Mas sei que também tenho alguns apoios, sei onde encontrar carinhos, palavras, abraços, etc... Isso é bom, não era uma coisa a que estava habituada e até rejeitava, mas hoje necessito muito.

Eu sou e considero-me uma rapariga complicada, mas não queria.”

(uma carta de 2015)

Olá.

As coisas têm mudado imenso, sinto mesmo a minha vida a virar de “capítulo”, é a sensação mais estranha que senti.

Já passei por várias experiências na vida, os professores têm conhecimento de algumas coisas, mas o que eu senti noutra fase foi diferente, cresci demasiado rápido, a vida obrigou! Agora sinto-me mais preparada para as circunstâncias que a vida nos vai dando, tenho muito mais ferramentas e assim fica tudo mais fácil.

É certo que tive responsabilidades muito cedo, muitas preocupações por causa da minha família, mas agora as coisas mudaram, não me sinto tão desesperada, nem sequer me preocupo tanto com os “outros”, não é por ser egoísta, percebi que primeiro eu tenho de estar bem para ajudar quem eu quero e quem precisa! Continua a ser difícil não estar tão presente [junto da família] como era antes, fico triste, mas acho que fico mais triste estar perto e ver o quão ingratos eles são, prefiro andar longe e continuar a ajudar no que posso.

Sinto-me feliz e só quero que me deixem ser feliz enquanto dura! Não ter de depender de ninguém é a melhor coisa do mundo. Passar fome, não ter roupa para vestir, sapatilhas, não ter água e luz em casa, é complicado, ver as pessoas que mais queremos ver bem estarem mal é muito revoltante e mais ainda não poder fazer nada porque nem sempre há forças, nem oportunidades. Descer é muito mais fácil que subir.

Hoje tenho o 9º ano e emprego graças ao Arco Maior, nunca desistiram de mim, nem nunca os vi desistir de ninguém! Não posso pedir mais nada, nem me queixar de nada, tenho aqui a minha chance e não a largarei por nada, abracei-me com tanta força a isto que já não me imagina sem. (...).

Dou o meu melhor, mas tenho consciência de que o meu melhor nem sempre ´s suficiente. (...) Não tenho mais a pedir, só tenho agradecer a vida estar a ser tão generosa para mim.

Mil beijos.”

(uma carta de fevereiro de 2016)

Inês Leorne

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