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 Princípios do Projeto  

Resumimos em cinco pontos os princípios que norteiam o projeto, conferindo-lhe um sentido coerente: o diálogo, a largueza, a ternura, a autonomia, a familiaridade e a liberdade.

O diálogo interinstitucional e interprofissional constitui a antecâmara da cooperação. Sem cooperação entre os diversos profissionais e entre as diferentes entidades será impossível criarmos uma resposta de qualidade para cada adolescente. Os problemas que eles transportam, travestidos tantas vezes de roupagens escolares, são, as mais das vezes, espelhos de dramas familiares, socioeconómicos, culturais. Esta cooperação é exigente, porque requer uma postura de abertura e construtiva, de reconhecimento mútuo entre os profissionais e entre as instituições. Requer humildade pessoal e institucional e a consciência clara de que sozinhos podemos pouco e de que juntos, mesmo assim, pouco podemos, se não formos capazes de desencadear a determinação de cada um dos que nos procuram e a quem buscamos.

A largueza: funcionaremos sempre em casas de pedra e tijolo, mas seremos uma dinâmica socioeducativa elástica, plástica, de porta larga, com o maior arco que se avista, capaz de acolher cabeçudos, atarantados, revoltados, com revoltas pessoais do tamanho da maior praça da cidade, adolescentes desiludidos, perdidos, frustrados, gente de braços grandes e gente sem braços, de pernas agigantadas, de olhos quadrados e de dedos mínimos, de barrigas grandes e sem barriga, de falas tortas e de nenhumas falas…aqui, dentro desta largueza e deste horizonte, inscreve-se a relação e o cuidado, estabelecem-se os limites e concede-se o necessário apoio, exigente, cuidadoso, amoroso, para o desenvolvimento humano necessário e imperioso de cada um.

A ternura: esta proposta socioeducativa tem a marca do laço que ata e desata, porque nada do que é humano e relacional aqui fica para terceiro plano, nem sequer em nome das “aprendizagens escolares”; aqui vigora e reina a “fortaleza dos laços frágeis” (retomando Ganovetter), do amor e da dádiva dos professores-formadores-animadores; prevalece o diálogo, a exigência e a fortaleza do que dá luta, do que revigora, do que tempera. O amor tudo pode, tudo vence; o amor não é lamechas, o amor não é invertebrado, o amor é o tempero. Se o tempero perder o sabor… O maior bem do ser humano e o nosso maior bem educacional é relacional, tudo o resto é acessório e coadjuvante.

A autonomia: a proposta educativa - e também escolar - que é feita a estes jovens e aos seus “desviados” comportamentos tem de ser trabalhada caso a caso e construída a par e passo, sob o lema da leveza, alicerçada numa aventura que os professores e formadores orientam com rigor e determinação, procurando sempre, até encontrarem, com cada jovem, as pedras onde cada ela e cada ele possam fixar os seus próprios pés, as alavancas que poderão proporcionar-lhes crescer na sua identidade, auto-estima, autonomia e na sua capacidade de reinserção escolar e socioprofissional.

A procura, a identificação e o desenvolvimento dos talentos que moram em cada um, as mais das vezes escondidos, adormecidos ou esquecidos e até repudiados, deve contar com o apoio de todos os intervenientes e tem de ser obra sobretudo de cada adolescente e jovem. Esperam-nos, por isso, situações e dilemas de difícil resolução.

A família deve estar sempre no coração da presença temporária dos adolescentes no Arco Maior. Primeiro, a família biológica, que deve ser sempre envolvida e “recuperada” pela tessitura de laços que são feitos pelos seus técnicos e educadores. Em segunda instância, na ausência desta, as famílias de substituição (ou adultos de referência ou “padrinhos”) e, finalmente, o próprio Arco Maior, uma nova “família”, na medida em que cria um ambiente com vínculos, o mais acolhedor possível e estimulador do desenvolvimento de talentos e da autonomia pessoal.

A liberdade: cada professor e formador pode e deve, em liberdade e com responsabilidade, criar as condições para que cada adolescente possa construir aqui um “projeto de vida”, um itinerário pessoal e social em que verdadeiramente acredite, com a máxima liberdade possível. O Arco Maior é o espaço e o tempo dos recomeços.

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